Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Portagens nas Áreas Protegidas

Caro Miguel,
Ainda na sequência da última troca de mensagens.
Só depois de ter enviado a m/ mensagem, sobre o assunto referido, é que
reparei que não respondi explicitamente às quatro questões concretas que me
colocas como "alguém que representa uma ONGA com assento na CPADA".
De qualquer forma, também não o poderia fazer porque as associações que
represento na CPADA nunca tomaram posição sobre essas questões e as minhas
posições na AMBIO são apenas a título pessoal, não comprometendo qualquer
das entidades a que esteja ligado, a menos que, explicitamente, eu evoque
outro estatuto, o que não tem sido o caso, quanto me lembro.
De qualquer forma, e sempre a título individual,  posso adiantar que
(respondendo genericamente, sem entrar nos detalhes de cada questão posta),
considero que cada Área Protegida (e mesmo adentro de cada zona de cada
Área) é um caso em que importa ponderar a situação, quanto às portagens e
seu funcionamento.
Por exemplo, não estou a ver colocar uma portagem para toda a Área Protegida
da Ria Formosa, ou do Sudoeste Alentejano, ou da Serra de Aire e Candeeiros,
etc. Mas admito que talvez haja sítios específicos em que se justifique.
No caso da Serra de Aire e Candeeiros, por exemplo, não me parece viável o
estabelecimento de portagens para os peregrinos que vão a Fátima (que já se
fartam de pagar portagens nas auto-estradas, promessas, etc.), embora
reconheça que fosse muito útil para os cofres do ICNB. Mas, adentro dessa
Área Protegida, até há sítios onde acho muito bem que se cobre uma portagem
(ou entrada, como lhe queiram chamar), como é o caso das Grutas de Santo
António, por exemplo, como eu já paguei, quando as fui visitar. Mas isso não
significa que se deixe lá entrar toda a gente, ao livre arbítrio de cada um,
ao mesmo tempo, só porque se pagou uma portagem/entrada. Há regras de bom
senso estabelecidas, nomeadamente quanto ao número de pessoas para cada
visita, o tempo de permanência, etc. Caso contrário, onde já iam aquelas e
outras grutas!...
O mesmo se diga das entradas nos Museus, Cinemas, Restaurantes, Estádios de
Futebol, etc. Há limites para as estruturas suportarem pressões,
nomeadamente "pressões humanas".
Ora era esses limites que eu gostava de ver impostos na Mata da Albergaria,
pois foi para isso que lá se instalaram as portagens. Limites esses que não
têm existido com o sistema de portagens pagas, porque, o objectivo passou a
ser a cobrança de euros para os cofres do PNPG/ICNB/ESTADO. E, nesta
perspectiva, quantas mais viaturas lá entrarem e andarem, por dia, melhor
para a cobrança! O que é a total subversão da finalidade para que foram lá
postas as portagens.
Nestas condições, não haverá Mata de Albergaria que resista.
Espero que tal não aconteça e que volte o bom senso para repor as portagens
no caminho para que foram criadas.
Cumprimentos.
Manuel Antunes
 



publicado por MA às 12:55
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Benefícios nas Áreas Protegidas?
Caro(a)s amigo(a)s,
No princípio do mês, perguntei, na AMBIO, se alguém conhecia "um único
benefício (...) que o estatuto de "áreas protegidas" tenha trazido às zonas
onde estão implantadas".
Até ao momento, só obtive resposta de dois participantes neste "forum": de
Inês Cabral, que refere o aproveitamento turístico por alguns habitantes do
PNPG e o custo dos terrenos nessa zona; e de Henrique Pereira dos Santos,
que aponta os mesmos benefícios, acrescidos da visibilidade de estar nessas
áreas.
Quanto ao turismo e custo dos terrenos, sempre existiram e variaram, antes,
durante e (hão-de existir/variar) depois das "áreas protegidas". Os turistas
afluem lá, não por terem o rótulo de "áreas protegidas",  mas pelas
características das zonas em que estão, que os seus naturais/residentes,
geralmente, conservaram/valorizaram, durante milénios. Que eu saiba, não há
nenhuma "área protegida" em Lisboa-Costa do Sol e, segundo notícias que, no Sábado
passado, ouvi na Rádio, é a zona de Portugal Continental com mais turistas, por ano. A
seguir, vem o Algarve (até bem recentemente estava em primeiro lugar) e não
me consta que as pessoas vão lá por causa da "área protegida" da Ria
Formosa. Depois, aparece Fátima e não creio (é mesmo uma questão de fé) que
os turistas  vão lá  por causa da "área protegida" da Serra d'Aire e
Candeeiros, com as suas pedreiras a céu aberto. E chegamos, finalmente, ao
Gerês, quarto destino turístico, ao que consta, no continente português, que, só por
desinformação se poderá dizer que é devido à sigla PNPG.
De facto, o PNPG ainda é uma criança. Acompanhei-o nos trabalhos de parto e
ajudei ao seu nascimento (oficialmente a 8 de Maio de 1971). Pelo que os
seus quase 36 anos são uma insignificância comparados com o aparecimento das
serras da Peneda-Soajo-Amarela-Gerês (onde o PNPG está implantado), no
período Devónico, há uns 380 milhões de anos, passando pelo Pérmico, há 280
milhões de anos, pela Orogenia Hercínica/Varisca, pelas glaciações do
Quaternário, há cerca de 1,8 milhões de anos, até aos nossos dias (cf.
Geneviève Coudé-Gaussen, Les Serras da Peneda et do Gerês - Étude
Géomorphologique, Memórias do Centro de Estudos Geográficos, Instituto
Nacional de Investigação Científica, Universidade de Lisboa, 1981; Carlos
Alberto Medeiros et al., Geografia de Portugal - O Ambiente Físico, Círculo
de Leitores, Rio de Mouro, 2005; etc.; para uma consulta mais rápida, há,
por aí, vários "sites" onde se fala do assunto).
Pelo que, quanto a visibilidade, o PNPG que vá crescendo e aparecendo.
Mesmo que não traga benefícios para os seus naturais/residentes, se não
trouxer mais prejuízos do que tem trazido, já nos damos por satisfeitos.
Mas também não lhe atribuam culpas que não tem. Como esta do Henrique dizer (certamente por distracção),
a propósito da visibilidade, que "Não por acaso a água do Fastio, que é
captada na serra Amarela, se identifica com a serra do Gerês".
Aqui não havia necessidade de qualquer investigação para ser objectivo.
Bastava olhar para o rótulo de uma garrafa de água do Fastio (no garrafão
vê-se ainda melhor) para ficar informado que essa água, "Nasce na Gruta de
Nossa Senhora do Fastio, Terras de Bouro, na Serra do Gerês, já célebre
desde 1918", no lugar de Gradouro, freguesia de Chamoim. E não aparece lá
qualquer sigla do PNPG. Os seus accionistas até estão muito felizes e
contentes (já me ri com um deles, por acaso, natural Vilarinho da Furna, por
este lapso do Henrique) pela nascente ficar fora do Parque, mas no Gerês.
Por isso, é com toda a legitimidade que usam, na embalagem, a foto, com os morros da 
Calcedónia, da serra do Gerês, como fundo.
Se ainda dúvidas houver e escassear o tempo para as obras de referência
científica, é só consultar um mapa das estradas, por exemplo o do Automóvel
Club de Portugal.
Passe a publicidade.
Cumprimentos.


publicado por MA às 17:10
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